![]() |
Monumento Natural das Pegadas do Dinossauros Serra de Aire – o maior trilho de saurópodes da Europa e um dos mais bem conservados do mundo. Descoberto em 1992 com a colaboração da geóloga Vanda Santos, ao qual foi reconhecido o seu valor científico e educativo.
CONCEITO
DE GEODIVERSIDADE
Geodiversidade
é um termo muito recente que começou a ser utilizado por geólogos e
geomorfólogos no início da década de 90 para descrever a variedade do meio
abiótico [2].
Na
sociedade, de uma maneira geral, define-se geodiversidade como “diversidade
geológica” ou por “rochas, minerais e fósseis”.
No
âmbito dos estudos de conservação geológica e geomorfológicos, Sharples [6], definiu
geodiversidade como “a diversidade de características, conjuntos, sistemas e
processos geológicos (substrato), geomorfológicos (formas de paisagem) e do
solo”.
A
comunidade de geólogos assume a definição proposta por Royal Society for
Nature Conservation, do Reino Unido, e por J. Brilha [1]: “A geodiversidade
consiste na variedade de ambientes geológicos, fenómenos e processos ativos que
dão origem a paisagens, rochas, minerais, fósseis, solos e outros depósitos
superficiais que são o suporte para a vida na Terra.”
Liccardo
[4], vai um pouco mais além, apresentado um paralelismo entre geodiversidade com
a biodiversidade. Segundo ele, enquanto a biodiversidade é constituída por
todos os seres vivos do planeta e é consequência da evolução biológica ao longo
do tempo, a geodiversidade é formada por todo o arcabouço terrestre que
sustenta a vida.
Na
história da Terra têm ocorrido diversos acontecimentos geológicos que
provocaram alterações catastróficas nas condições do meio ambiente, levando à
extinção de inúmeras espécies animais e vegetais, as quais promoveram a
evolução dos seres vivos na Terra e dos índices de biodiversidade que
conhecemos atualmente.
Deste
modo, a biodiversidade é favorecida por variações das características das
rochas e do relevo, sendo este determinado pelo tipo de material rochoso, tectónica
e clima. Em Portugal, observamos serras e planaltos graníticos, bem como
relevos e solos vulcânicos. Existem também calcários e grutas com rios
subterrâneos, extensas planícies sedimentares, praias, dunas, solos e muitos
outros ambientes geológicos que constituem o suporte a uma grande variedade de
seres vivos.
O VALOR
PATRIMONIAL DA GEODIVERSIDADE
Não é
dado a toda a geodiversidade o mesmo valor. São os geólogos, os profissionais
que podem definir quais são os elementos da geodiversidade que possuem valor
especial e aos locais cujo valor científico e educativo é reconhecido são
chamados de «geossítios», que no seu conjunto recebem o nome de património
geológico.
Assim, o património geológico é definido como “o conjunto de geossítios inventariados,
caracterizados e bem delimitados geograficamente, em uma dada área ou região,
onde ocorrem um ou mais elementos da geodiversidade com elevado valor
científico, pedagógico, cultural, turístico e outro” [1].
De
acordo com o Decreto Legislativo Regional n.º 24/2004/M de 28 de Agosto de 2004
“O património geológico deve ser salvaguardado, estudado e valorizado, e todos
os intervenientes devem promover a ação científica, pedagógica e cultural, de
modo a garantir o retorno em termos de benefício científico, cultural e social,
e assegurar a sua transmissão às gerações futuras”.
Segundo
Gray [2] e Brilha [1], os valores da geodiversidade são classificáveis em
intrínseco, cultural, estético, económico, funcional, científico e educativo.
Assim
sendo são explicados do seguinte modo:
- O
valor intrínseco é um valor dado de acordo com a relação existente entre a
Natureza e o Homem: a Natureza deve estar à disposição do Homem e satisfazer as
suas necessidades ou o Homem como parte integrante da Natureza atribui-lhe um
valor próprio.
- O
valor cultural é dado pela interdependência entre o desenvolvimento social,
cultural e/ou religioso e o meio físico circundante. Por exemplo, o Castelo de
Guimarães e o Mosteiro dos Jerónimos.
- O
valor estético resulta da contemplação que cada um dá a uma determinada
paisagem.
- O
valor económico é um valor quantificável, que depende do uso que o Homem dá aos
minerais, às rochas e aos fósseis nas suas atividades, por exemplo, na produção
de energia através dos combustíveis fósseis, do calor interno da Terra ou dos
minerais radioativos. O vulcão dos Capelinhos e as Portas do Rodão são exemplos
de locais de rara beleza e, pelo papel que desempenham no turismo local, são
também importantes sob o ponto de vista económico.
- O valor funcional pode ser de carácter utilitário para o Homem como meio
do suporte para a realização das mais variadas atividades e de armazenamento de
certas substâncias ou de sustentação dos sistemas físicos e
ecológicos, que permite a implantação e desenvolvimento das populações de
animais e de plantas.
- O valor científico é um valor útil para interpretar
e reconstituir a história da Terra.
- O valor educativo está intimamente relacionado à educação
em Ciências da Terra com a geodiversidade, a fim de ajudar na consciencialização e
valorização dos ambientes naturais da Terra.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
1.
Brilha, J. B. (2005). Património geológico e geoconservação: a conservação da natureza na sua
vertente geológica. Palimage.
2.
Gray, M. (2004). Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature. John
Wiley & Sons.
3.
de Machico, R. G. D. V., Gomes,
A., & Menezes, M. Geodiversidade e Geoengenharia do Arquipélago da Madeira
Registo Escrito de Avaliação.
4. Liccardo, A., Piekarz, G., & Salamuni,
E. (2008). Geoturismo em Curitiba. Mineropar.
5. Nascimento, M. A. L., MANSUR, K. L., &
MOREIRA, J. C. (2015). Bases conceituais para entender geodiversidade,
patrimônio geológico, geoconservação e geoturismo. Anais do XVI
Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada, Teresina.
6. Sharples, C. (2002).
Concepts and principles of geoconservation. Tasmanian Parks & Wildlife Service, Hobart.
7.
Universidade do Minho (2008). Geodiversidade: Valores e Usos

Comentários
Enviar um comentário
Obrigado pelo teu comentário!