AS ABELHAS: DIVERSIDADE E VALOR
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Figura 1.
Apis mellifera L., conhecidas como as abelhas do mel ou africanizadas, são
abelhas exóticas, híbridas do cruzamento de abelhas da Europa e da África, e
são as mais utilizadas na apicultura, sendo estas abelhas com ferrão.
No
mundo inteiro, calcula-se que existem mais de 2000 espécies de abelhas. Apesar
da Europa só ocupar 7% dos habitats terrestres globais, alberga 10% dessa
diversidade (1965 espécies em 2014), onde 20% correspondem a espécies
endérmicas, com o Mediterrâneo a apresentar a maior diversidade.
A paisagem
mediterrânica é um dos centros mundiais de especiação de abelhas, suportando
algumas das mais diversas comunidades planta-polinizador, incluindo uma grande
variedade de comunidades florais. [2]
“Existe
atualmente uma lista provisória (Baldock et al. por publicar) de todas as
espécies identificadas no continente português até ao presente que já registou
663 espécies de abelhas. Nos últimos 15 anos tem havido um aumento considerável
na recolha de abelhas para registo em Portugal, com especial incidência no
Algarve, que já acrescentou cerca de 350 espécies à atual lista, mas onde o
norte ainda se encontra subestimado. Por outro lado, (Nieto et al. (2014))
tinham estimado para Portugal, entre 315 e 434 espécies de abelhas (Fig. 1),
das quais 11-25 espécies seriam endémicas, 1-3 ameaçadas e para 92- 137 não se
conhece o estado de conservação (Data Deficient)”[2].
O artigo
“Diversidade e Abundância de Abelhas (Hymenoptera: Apoidea) Num Espaço Verde
Urbanizado em Lisboa: A Tapada da Ajuda” [2], aprofunda o conhecimento relativo
à diversidade de abelhas silvestres em Portugal, num espaço verde urbanizado
(Tapada da Ajuda, Lisboa), após a recolha de amostras em cinco locais distintos,
onde foram capturados 867 exemplares de abelhas, englobando cinco famílias, 21
géneros e 66 espécies, das quais oito são consideradas raras em Portugal.
As
espécies mais frequentes foram a Apis mellifera, a Xylocopa violacea
e Bombus Terrestres Linnaeus. A maioria das espécies capturadas
nidificavam em cavidades, eram solitárias e generalistas florais. Este estudo constatou que a riqueza
florística foi o fator que mais aparentou influenciar o número de espécies de abelhas
nestes locais. Os dados obtidos demonstraram que a Tapada da Ajuda pode
albergar uma grande diversidade de abelhas silvestres, mesmo estando localizada
no maior centro urbano do país.
O
VALOR DAS ABELHAS
A
polinização é um serviço de ecossistema crucial para a manutenção do mundo
vivo, quer para os sistemas naturais quer para os sistemas agrícolas.
As
abelhas são os seres responsáveis por esse papel, através da polinização. “O
papel das abelhas neste processo é crucial, já que se descobriu que cerca de 2%
das abelhas selvagens do planeta são responsáveis pela polinização de 80% das
culturas mundiais.
Isto
significa que sem abelhas não haveria frutos silvestres, tomates, abacates,
couves, maçãs, amêndoas, laranjas, entre muitos, muitos outros alimentos” [3],
ou seja, o alimento de muitos animais iria escassear, o poderia levar à morte
de vários animais, podendo mesmo chegar à destruição do ecossistema.
As
abelhas adultas ou as suas larvas e pupas, alimentam-se exclusivamente de
recursos florais. As abelhas adultas alimentam-se, principalmente, de néctar,
enquanto que as larvas das abelhas, na maior parte das espécies, alimentam-se de
uma mistura de pólen e néctar (Roberto et al. (2015)).
Para
que esta relação alimentar ocorra entre as abelhas e as plantas, é necessário
que as abelhas visitem uma grande variedade de flores, colhendo o seu pólen
(fonte de proteína) e o néctar (para a produção do mel).
Deste modo, nesta
relação de cooperação, as abelhas favorecem a reprodução das plantas, a sua
variabilidade genética, o equilíbrio dos ecossistemas, a produção de habitats e
a reprodução de outras espécies.
Também
é importante frisar que a presença de abelhas é um indicador de qualidade
ambiental. Sendo assim, há a necessidade
de as preservar, pois estão a ser afetadas pelos impactes das alterações climáticas,
pondo em risco a vida das mesmas.
O valor das abelhas é
incalculável, algo que Albert Einstein já defendia: “No dia em que as
abelhas forem extintas, a humanidade apenas conseguirá sobreviver durante mais 4 anos.”
REFERÊNCIAS
1. Rocha, M. N. D. C. C. (2017). Diversidade
e abundância de abelhas (Hymenoptera: Apoidea) num espaço verde urbanizado em
Lisboa: a Tapada da Ajuda (Doctoral dissertation).
2. Barbosa, D. B., Crupinski, E. F., Silveira,
R. N., & Limberger, D. C. H. (2017). As abelhas e seu serviço ecossistêmico
de polinização. Revista Eletrônica Científica da UERGS, 3(4),
694-703.
3.
Nathional Geographic. (8 de agosto de 2018). A Importância das Abelhas e Porque
Precisamos Delas. Obtido em 9 de novembro de 2019, de National Geographic: https://www.natgeo.pt/animais/2018/08/importancia-das-abelhas-e-porque-precisamos-delas

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