A BIODIVERSIDADE ESTÁ AMEAÇADA
“A
biodiversidade é essencial para os serviços dos ecossistemas, portanto, para o
bem-estar humano” (Millennium Ecosystem Assessment, 2005). Esta está a ser
ameaçada, essencialmente, pela ação humana através do uso, exploração e
mudanças dos ecossistemas naturais. Estima-se que a ação humana levou a uma
taxa de extinção de espécies 1 000 vezes superior ao ritmo de extinção
“natural” ao longo da história da Terra (Millennium Ecosystem Assessment
2005c).
As
florestas tropicais, as áreas húmidas, os recifes de coral e outros
ecossistemas estão sendo degradados pelas atividades humanas, pondo em causa o
bem-estar humano, nomeadamente na perda de bens e serviços, tais como alimento,
madeira, água potável, energia, proteção contra enchentes.
A
consequência de tais tendências é que cerca de 60% dos serviços dos
ecossistemas da Terra examinados foram degradados nos últimos 50 anos, sendo
que a atuação humana foi a principal causa deste fenômeno (Millennium Ecosystem
Assessment 2005).
Os
declínios de biodiversidade são registados em todas as partes do mundo
habitável. Entre grupos de espécies bem estudados, as taxas de extinção de
organismos são altas e crescentes.
É nos
biomas tropicais, ecossistemas de alta diversidade, que encontramos um maior
número de espécies de vertebrados ameaçadas devido à sua conversão em campos de
cultivo ou de pastagens.
De
acordo com dados do Miilenium Ecosystem Assessment (2005c), verifica-se, entre
1950 e 1990, nas regiões biogeográficas de Neotropical, Australásia,
Indo-Malaia, Afro-tropical e Paleártico, as áreas cultivadas e de pasto
aumentaram significativamente e as áreas naturais sofreram uma redução drástica
de até 6%. Como resultado, estima-se que a quantidade de água armazenada atrás
de grandes barragens é três a seis vezes a quantidade retida pelos rios.
Entre
12 a 52% das espécies, em áreas bem estudadas, estão ameaçadas de extinção. As
espécies mais ameaçadas, tendem a ser aquelas que dependem de habitats de água
doce. De acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação
da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), a percentagem de mamíferos
ameaçados é de 23%, de coníferas é de 25% e de anfíbios é de 32%.
Esta
acentuada extinção de espécies está muito relacionada com a utilização e a
exploração intensiva dos recursos naturais para exportação, especialmente dos
recursos biológicos. Por exemplo, para uma exploração mais eficiente do
pescado, os habitats naturais foram transformados em gaiolas móveis no mar, com
acesso restrito e extremamente valorizados economicamente, como é o caso da
produção de camarão, salmão e atum vermelho em aquacultura.
A
aquacultura está em expansão, em particular na China e no Mediterrâneo e foi
responsável por 27% da produção mundial de peixes em 2000 (Millennium Ecosystem
Assessment, 2005a).
Para
além disso, a pesca intensiva faz esgotar os stocks dos peixes maiores, levando
a que se pesquem também os peixes menores para a produção de farinha e de óleo
de peixe para a aquacultura e para alimentação de galinhas e porcos. Mais uma
vez se vê que a aquacultura não está a minimizar os impactes de biodiversidade
marinha, pois ela também precisa de pescado marinho na sua exploração.
Nos
anos de 2007 e 2008, um outro problema ambiental instalou-se com o
desenvolvimento de biocombustíveis, que fez aumentar bastante os preços de
alguns produtos alimentares básicos, levando a enormes mudanças na forma de uso
da terra, especialmente nos países em desenvolvimento. As contínuas taxas de
crescimento acelerado deste tipo de produção colocaram ainda maior pressão nos
sistemas naturais.
Em
suma, estamos a consumir a biodiversidade e os ecossistemas a um ritmo bastante
acelerado e insustentável. As nossas ações já estão a ter sérios impactes
socioeconómicos. Acredita-se que nas próximas décadas haverá declínios ainda
mais significativos, em virtude de fatores como o crescimento populacional,
mudança no perfil de exploração da terra, expansão económica e mudança
climática global.
Se
pretendermos encontrar soluções para os problemas que nos defrontam, devemos
entender o que está a acontecer com a biodiversidade e os ecossistemas, e como
estas mudanças afetam os bens e serviços que eles disponibilizam.
Nesta
linha de acontecimentos, devemos tomar medidas corretivas com caráter de
urgência, como por exemplo a “normalização” dos serviços, no sentido de
podermos usufruir os benefícios oferecidos pelo meio ambiente.
Referências:
Millennium
Ecosystem Assessment (2005)
TeeB
(2014) A economia dos ecossistemas e da biodiversidade

Patrícia
ResponderEliminarGostei da reflexão que fez. O consumo equilibrado dos recursos naturais seria o mais desejável, mas o crescente aumento da população mundial
e das atividades económicas, compromete cada vez mais as decisões.
A maioria diz que a natureza tem que ser defendida, mas não abdica do seu bem estar e de um consumo desmesurado, não só dos bens de primeira necessidade, mas também daqueles que muitas vezes poderiam ser dispensados. É evidente que as populações procuram o seu bem-estar e não estamos à espera que o dispensem, mas na realidade a procura de soluções equilibradas vai ser a grandiosa tarefa que nos espera, pois, algumas das decisões que parecem ser as mais acertadas, acabam por vezes por se mostrar desastrosas. Fátima Carvalheiro
Agradeço o tua reflexão. Realmente, como usar os recursos naturais, dos quais somos completamente dependentes para o nosso bem-estar, sem degradar a Natureza. Peço que uma das formas é tentar reduzir o consumo de determinados bens, assim como valorizar os ecossistemas naturais e controlar os agrícolas.
EliminarPatrícia, Bom desenvolvimento neste post. Parabéns !
ResponderEliminarA continuar, Paula Nicolau